Propagação por corte parcial de haste em Araceae
Uma forma segura e simples, embora pouco usada, para propagação em Araceae é o corte parcial de haste. A primeira vez em que vi a técnica foi com Monstera deliciosa, e já a usei com sucesso com Philodendron gloriosum e Anthurium x macrolobium, o exemplo nas fotos.
O processo consiste em cortar com um estilete a haste da planta que você quer propagar, apenas até a metade, sem separar por completo as duas partes. O corte deve ser parcial, apenas 50% do diâmetro da haste, entre dois nós, à frente de um nó onde exista uma gema viável para brotar uma nova planta.
Você deve inserir uma tira fina de plástico no corte, para ter certeza que este cicatrizará sem readesão das partes.
O estresse causado pelo corte geralmente "desativa" a dominância apical que inibe a brotação de gemas secundárias em muitas espécies de Araceae. A planta "entende" que sofreu um dano, como se tivesse perdido o ápice, e promove a brotação de uma ou mais gemas secundárias.
Só que como o corte é parcial, as duas partes da planta continuam se beneficiando das raízes existentes e do fluxo de seiva, como se nada tivesse acontecido.
Este método é ideal apenas quando ambas as partes já possuem raízes no substrato. O objetivo aqui é promover a brotação de gemas secundárias, não necessariamente fazer um corte apical.
Depois de um tempo que a gema secundária brotou, é comum seu desenvolvimento freiar. É hora de respirar fundo e completar o corte parcial até final. Ajeite a tira de plástico para cobrir o corte por completo.
Se você só pretendia ter o vaso mais cheio, não é preciso fazer mais nada. Caso seu interesse seja separar as mudas, espere que até que o corte esteja bem cicatrizado e as mudas com várias folhas novas antes de desfazer o vaso.
Nas fotos 3 e 4 vemos que mesmo durante a brotação da gema secundária, a brotação apical seguiu normal (centro), inclusive vemos o início de brotação de inflorescências (esquerda e direita) das axilas das folhas anteriores.
Veja na foto 5 a PRIMEIRA folha que brotou após o corte. Quase uma folha madura!
A técnica é válida para hastes rasteiras ou verticais, em particular plantas com haste robusta, pois nas finas é muito difícil fazer o corte parcial. Nas hastes verticais, faça o corte inclinado de baixo para cima, para não acumular água.
* Dominância apical é um mecanismo onde há ação inibitória da gema apical sobre as gemas secundárias por meio da ação de dois hormônios em conjunto, a auxina e a estrigolactona.
* Se a haste for muito longa, você pode até fazer mais de um corte parcial, mas deixe ao menos um par de nós por corte.





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